Sistema eleitoral russo enfrenta ataques em meio à guerra na Ucrânia
Autoridades russas afirmam que sistema de votação online de Moscou e redes de comunicação foram alvos de ataques; governo diz que operações foram contidas e votação prosseguiu
Autoridades da Rússia relataram ataques cibernéticos contra sistemas eleitorais e redes de comunicação durante as eleições parlamentares realizadas entre os dias 18 e 20 de setembro. Segundo a Comissão Eleitoral Central (CEC), as investidas atingiram principalmente a infraestrutura utilizada para a votação eletrônica, mas não impediram a continuidade do processo eleitoral.
Em Moscou, o sistema de votação online sofreu um forte ataque durante a madrugada de sábado (19), segundo as autoridades. A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, afirmou à mídia estatal que os ataques continuavam, mas estavam sendo repelidos pelas equipes responsáveis pela segurança da plataforma.
O episódio ocorreu no segundo dia da eleição que definiu a composição das 450 cadeiras da Duma Estatal, a Câmara Baixa do Parlamento russo. O pleito foi o primeiro para a Duma desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.
Ataques atingem votação online em Moscou
Segundo as autoridades eleitorais russas, apesar da intensidade das ofensivas digitais, o sistema utilizado para a votação online em Moscou permaneceu em funcionamento.
Pamfilova declarou que as investidas estavam sendo repelidas e que a situação permanecia sob controle. No domingo (20), a Comissão Eleitoral Central informou ter identificado mais de mil ondas de ataques DDoS contra a infraestrutura envolvida na organização do processo eleitoral, além de mais de 120 contra o sistema de votação eletrônica remota.
Ataques DDoS utilizam grande quantidade de acessos simultâneos para sobrecarregar servidores ou serviços online, podendo causar lentidão ou indisponibilidade.
Linhas de comunicação também foram alvo
Os problemas não ficaram restritos à capital. O Ministério da Transformação Digital da Rússia informou ter identificado uma tentativa de sabotagem contra linhas de comunicação no Extremo Oriente do país.
De acordo com informações divulgadas pela mídia estatal e reproduzidas pela Reuters, a tentativa foi frustrada e as comunicações foram posteriormente restabelecidas.
A Comissão Eleitoral também relatou uma tentativa externa de obter acesso a equipamentos da rede de transmissão de dados. Autoridades russas disseram ter identificado endereços de IP relacionados ao episódio e alegaram haver indícios de origem ucraniana. Essa atribuição foi feita pelas próprias autoridades russas e não foi verificada de forma independente.
Putin acusa Ucrânia, mas não apresenta provas
Antes dos episódios, o presidente russo, Vladimir Putin, já havia acusado a Ucrânia de tentar interferir no processo eleitoral.
A Reuters destacou, entretanto, que Putin não apresentou evidências para sustentar a acusação.
A votação ocorreu em meio à continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia e a ataques físicos e digitais relacionados ao conflito.
Eleição ocorre sob críticas à participação da oposição
As eleições também ocorreram em um ambiente político marcado por restrições à oposição. A maioria dos candidatos contrários à guerra ficou fora das cédulas.
O partido liberal Yabloko, que defende um cessar-fogo na Ucrânia, teve sua participação limitada depois que a Suprema Corte russa decidiu que a legenda havia violado regras eleitorais. O partido contestou essa interpretação. Alguns de seus candidatos, porém, puderam disputar cadeiras em distritos uninominais.
As 450 cadeiras da Duma estavam em disputa. Metade é preenchida por votação proporcional em listas partidárias e a outra metade por distritos eleitorais individuais.
No domingo (20), resultados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral indicavam ampla vantagem do governista Rússia Unida, partido associado ao presidente Vladimir Putin.
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