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Nona edição do Encontro do Povo Mura reúne indígenas de oito municípios do Amazonas

Nona edição do Encontro do Povo Mura reúne indígenas de oito municípios do Amazonas

Lideranças indígenas de oito municípios do Amazonas discutiram direitos, políticas públicas e desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais

Mais de 500 indígenas participaram do 9º Encontro do Povo Mura, realizado entre os dias 9 e 11 de julho, na Aldeia Capivara, em Autazes, no Amazonas. O evento reuniu representantes de diferentes comunidades indígenas para debater desafios, apresentar demandas e fortalecer a defesa dos direitos dos povos originários.

Durante o encontro, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) esteve presente para ouvir lideranças indígenas, oferecer orientações jurídicas e receber relatos relacionados a possíveis violações de direitos em territórios tradicionais.

A programação reuniu indígenas dos municípios de Autazes, Borba, Careiro da Várzea, Itacoatiara, Manaquiri, Nova Olinda do Norte, Silves e Manaus, além de representantes de diferentes organizações e movimentos indígenas.

Defensoria Pública debate acesso à Justiça e políticas públicas

Durante as atividades, o defensor público Daniel Bettanin destacou a importância da presença da Defensoria nos territórios indígenas para aproximar a instituição das comunidades e compreender as principais necessidades apresentadas pelas lideranças.

Segundo ele, o encontro permitiu ampliar o diálogo sobre políticas públicas relacionadas à saúde, educação, proteção territorial e garantia de direitos.

“É muito importante a Defensoria ocupar esses espaços para mostrar à população indígena o que é a Instituição, para estabelecer projetos e parcerias de acordo com as demandas apresentadas pelas comunidades”, afirmou.

Além disso, o defensor ressaltou que a participação no evento contribui para identificar situações que precisam de acompanhamento jurídico e articulação com outros órgãos públicos.

Povo Mura relata desafios relacionados aos direitos territoriais

Entre as principais demandas apresentadas durante o encontro esteve o respeito ao direito à consulta livre, prévia e informada (CLPI), previsto na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com a Defensoria, lideranças indígenas relataram dificuldades relacionadas à participação das comunidades em decisões que envolvem seus territórios.

“O protocolo de consulta não tem sido respeitado. A Defensoria pode ser uma instituição parceira, oferecendo auxílio jurídico gratuito, colhendo relatos e dados de novas violações que vêm ocorrendo”, destacou Daniel Bettanin.

Defensoria é apontada como aliada pelos indígenas

O cofundador do Encontro do Povo Mura, Herton Mura, afirmou que a participação da Defensoria representa uma oportunidade de fortalecer a luta dos povos indígenas pela garantia de direitos.

Segundo ele, as comunidades enfrentam desafios relacionados à saúde, educação, racismo e pressões políticas.

“A gente considera a Defensoria Pública como um órgão muito eficiente, que pode somar à nossa luta. Os povos indígenas sofrem diversas violações de direitos”, declarou.

Exploração mineral também esteve entre os temas debatidos

Outro assunto discutido durante o encontro foi a exploração de recursos minerais no território Mura, especialmente o debate envolvendo o potássio.

Segundo Herton Mura, a preocupação das comunidades aumentou a partir de 2022, quando lideranças passaram a buscar apoio de organizações indígenas e instituições públicas para ampliar a defesa dos direitos territoriais.

“Nós vemos a Defensoria Pública como mais uma aliada, principalmente na defesa dos direitos dos povos indígenas”, afirmou.

Encontro fortalece diálogo entre comunidades e instituições

Com o tema “Seguimos sendo a resposta”, a nona edição do Encontro do Povo Mura reforçou a importância do diálogo entre comunidades indígenas, órgãos públicos e organizações sociais.

Dessa forma, o evento se consolidou como um espaço de discussão sobre políticas públicas, preservação cultural e defesa dos direitos dos povos originários do Amazonas.

Por fim, a participação da Defensoria Pública possibilitou o recebimento de demandas diretamente das comunidades e fortaleceu a construção de ações voltadas à proteção dos direitos indígenas no estado.

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